A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, com apoio do VRB, em parceria com o Instituto BEĨ, deu o kickoff para a implantação do curso de Educação Financeira Aprendendo a lidar com o dinheiro. Até o fim de novembro vão ser capacitados cerca de 150 profissionais, entre Coordenadores Pedagógicos e Professores de Matemática da rede municipal de São Paulo.

Segundo a Superintendente Executiva do Instituto BEĨ, Daniele Paz: “Temos um desafio organizado em 2019 para impactar a proficiência em matemática, com o tema da Educação Financeira, em três grandes redes públicas com diferentes perfis comportamentais de alunos e professores”. Além da capital paulista, o modelo também está sendo implantado nas redes estaduais de Goiás e Pernambuco.

O projeto inova na Educação Pública por trazer estudos de impacto desde o princípio. A avaliação conta com o apoio do Instituto Unibanco e da Fundação Itaú Social. Um dos aspectos analisados é a comparação de dados de aproveitamento dos alunos em avaliações externas, como, por exemplo, a Prova São Paulo, aplicada no âmbito da Rede Municipal. A partir das notas, será possível traçar a evolução dos estudantes antes e depois da aplicação do material, ao longo do segundo semestre de 2019 e no decorrer de 2020.

Em uma entrevista exclusiva para o VRB, o Secretário-Adjunto de Educação do Município de São Paulo, Daniel De Bonis, falou sobre a implantação do projeto e as perspectivas do Aprendendo a lidar com o dinheiro.

Qual a sua opinião sobre a relevância do tema da Educação Financeira na esfera da Educação Pública?

Esse é um tema relevante e interessante por ser transversal. A primeira coisa que as pessoas pensam é na matemática, mas vai muito além disso. Quando se trabalha Educação Financeira, se trabalha atitude, iniciativa, competências e habilidades muito mais amplas do que a resolução de um problema matemático. Como o aluno é capaz de se planejar? Se disciplinar? Interagir com os outros? Nesse sentido, há muito interesse em aprofundar o trabalho com a Educação Financeira.

A Rede de São Paulo possui um perfil muito heterogêneo. Qual estratégia está sendo utilizada para implantação do projeto dentro dessa realidade?

A estratégia é trabalhar a formação dos professores em relação a essas questões. Eles são os operadores da educação, nada acontece sem eles. O projeto prevê uma formação intensa com os docentes na qual são levadas em conta as diferenças das escolas. O professor conhece a realidade local. Por isso, é capaz de adaptar o que está previsto na metodologia, no conteúdo, em algo que faça sentido dentro do contexto. Confiamos que a formação vai ser uma etapa crucial para isso.

Como a Educação Financeira pode auxiliar no aumento da proficiência em Matemática, tendo em vista o alto grau de desinteresse pela escola?

O desinteresse surge da percepção de que o assunto tratado não tem nenhuma conexão com a realidade das pessoas. A Educação Financeira nos traz essa vantagem porque o dinheiro é algo que está na vida dos alunos e das famílias todos os dias. Essa vai ser uma questão, independentemente da sua classe social. Você vai lidar com isso! A Educação Financeira é uma porta para trabalhar um conceito sem ficar somente em uma esfera abstrata, como acontece, muitas vezes, com a matemática. É um bom exemplo de como podemos trazer questões da escola para o mundo real.

Quais são as expectativas em relação ao impacto da Educação Financeira no cotidiano dos alunos?

Nós vamos trabalhar nesse projeto com alunos do 9° ano, com idades entre 14 e 16 anos. Acreditamos que nessa faixa etária eles são capazes de difundir e multiplicar os conhecimentos. Existe, em paralelo, outro trabalho em desenvolvimento que é o estímulo aos Grêmios Escolares. Essas iniciativas vão conversar. A ideia é colocar recursos da Associação de Pais e Mestres (APM) nas mãos do Grêmio. De um lado, temos as aulas de Educação Financeira; do outro, o Grêmio com recursos para aplicar na escola. Como vão ser utilizados esses recursos? Vamos conectar essas duas iniciativas e tornar a gestão do Grêmio uma atividade pedagógica para os estudantes.

Existem estratégias para ganhar escala e replicar o modelo do projeto Aprendendo a lidar com o dinheiro em toda a rede pública municipal de São Paulo? Quais são as perspectivas e expectativas?

As perspectivas de ganhar escala são muito boas porque o projeto está baseado em um material didático de excelente qualidade que conversa com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), já é bem atualizado dentro das diretrizes da Educação e está muito bem desenhado em relação ao público-alvo – Fundamental II e Ensino Médio -. Há uma grande vantagem em ganhar escala por se tratar da transmissão de conhecimento. Esse material pode ser difundido de forma eficiente e está muito adequado à Educação Pública e à maneira como as escolas trabalham.

Por Marcelo Wilkes

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